Farisaísmo

Dezembro 17, 2006

Julgar as pessoas é uma péssima mania que a grande maioria tem, uns julgam pelo jeito de falar, outros pela posição social, pelo nível cultural, pelo dinheiro que possuem, enfim não importa, seja qual for o motivo, TODOS os pré-julgamentos são errados, sempre que temos a oportunidade que conhecer melhor a pessoa vemos que estávamos enganados.

Eu também tenho essa mania besta de “traçar um perfil” de uma pessoa antes de conhecê-la bem (eufemismo para julgar). Até uns anos atrás eu julgava pela aparência, mas depois de um tombo bem feio, essa lição pelo menos eu aprendi. Entretanto, quem vive sob a influência de um meio religioso, como eu, sabe que é bem difícil não torcer no nariz diante de alguns comportamentos. E lá vamos nós os certinhos - que sabemos que aparência não é mais importante - julgarmos as pessoas, agora pelo que falam e/ou fazem.

É claro que muitos também já aprenderam esta lição, mas ah pouco tempo eu me dei conta que faço isso com freqüência. Jesus classifica de maneira ”pouco carinhosa” quem faz esse tipo de coisa: fariseus, hipócritas, raça de víboras e outras coisas não muito agradáveis de se ouvir.

Nesse julgamento por comportamento, cristãos extrovertidos são vistos com maus olhos, enquanto que ímpios (e falsos crentes) que são tímidos ou têm comportamento discreto, são tidos como exemplos a serem seguidos. Como se o arrependimento e dependência da Graça divina fosse um mero detalhe. Não é uma coisa horrível?

É por isso que Jesus foi bem enfático ao dizer Não julgueis para que não sejais julgados Mateus 7:11. Ele não colocou mais nenhuma condição específica tipo: não julgueis pela aparência, não julgueis pelo comportamento… Ele simplesmente disse não julgueis em hipótese alguma.

Eu não quero mais ter que sofrer tanto para aprender as lições, espero que este incômodo já me sirva para não julgar, não avaliar, não torcer o nariz. Chega de farisaísmo.


depois da alegria

Dezembro 10, 2006

Sexta-feira chegamos em casa felizes após a cerimônia de formatura do meu irmão, mas logo recebemos a notícia de que a situação de uma tia muito querida havia piorado. Ela fez uma cirurgia no coração, antes da operação estava muito animada e otimista como sempre foi, mas teve uma infecção generalizada e entrou em coma. A alegria da casa desapareceu imediatamente, parecia que nada de bom havia acontecido naquele dia, toda a festa de minutos atrás se perdeu no meio de um terrível silêncio.

Hoje pela manhã (domingo) ficamos sabendo que ela havia falecido. Fui ao velório e fiquei muito tempo quieta, sem falar nada, mas sem chorar também. Depois comecei a chorar muito, nem sabia o motivo direito. Olhando seus filhos, filha e netos chorando comecei a pensar que foi o pecado nos levou a esta terrível situação, a sempre ver quem amamos partir, sempre ter a alegria da vida sendo interrompida bruscamente. Pensei no dia em que Adão e Eva desobedeceram a Deus, o dia em que foram separados do seu querido Pai. Naquela hora fiquei imaginando como Deus chorou naquele dia, da separação, da morte de seus filhos. Foi isso o que fizemos, trouxemos a morte pra nós.

Às vezes eu penso que se eu não me aproximasse muito de ninguém, eu não iria sofrer demais quando as pessoas partissem.  Se eu não me casasse, não tivesse filhos, não ficasse muito íntima dos meus amigos, não convivesse muito com minha família… Enfrentaria melhor as separações, mas é claro que isso não passa de uma grande bobagem, só uma pessoa covarde e medrosa como eu poderia pensar uma coisa dessa. Ninguém consegue viver para sempre isolado, ninguém consegue viver sem amor, viver sem amor é morrer em vida, não faz sentido, por outro lado, amar sempre trará também alguma dor, porque nessa vida nada é para sempre.

O duro é pensar que somos nós os responsáveis por isso.