outubro 30, 2004

E se eu não resolver o subsolo do meu prédio?
E se eu ficar de exame alguma vez?
E se eu nunca fizer uma pós-graduação?
E se meu inglês nunca for fluente?
E se eu nunca conhecer a Europa?
E se eu não decorar 2 versículos por semana?
E se eu nunca conseguir terminar uma maquete sem ter colado uma parte num lugar nadavê?
E se eu não corresponder às suas expectativas?
E se eu não corresponder às minhas?
Serei uma pessoa pior por isso?

E se eu conseguir todas essas coisas, serei melhor?

uaréva

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Uma pausa, simplesmente

outubro 22, 2004

Era uma dessas tardes bem normais de segunda-feira, chatíssima como as tais devem mesmo ser. Eu estava no computador olhando para a tela preta do Auto Cad quando as janelas da casa começaram a assoviar com o vento repentino que vinha do sul, mas isso eu mal percebi, já que estava bem concentrada fazendo um trabalho para entregar no dia seguinte. De repente… Acabou a energia, dei uma respirada mais longa do que a ansiedade dos trabalhos da faculdade permitem e pensei: o que farei agora?
Bom, já que é impossível terminar minha obrigação, vou usar este tempo para relaxar um pouco, deitei no sofá e esperei alguns minutos tentando aproveitar o momento de ócio sem peso na consciência, já que este era devido à “motivos de força maior”.

Não passou muito tempo e eu já estava enjoada de ficar ali sem ter o que fazer, ouvindo nada mais que alguns galhinhos caindo no chão e o assovio constante do vento. Pensei em algo para me distrair, para não ter que começar a pensar nas elementares coisas da vida (dizem que isso deixa a gente louca). Já sei! Vou ligar para uma amiga. Fui correndo em direção ao telefone e vi que ele não iria funcionar, é sem fio, moderno demais para funcionar sem energia elétrica. E agora? Assistir TV não dá, ler sem luz também não, vou fazer uma pipoca microondas para ter algo para mastigar… Pipoca o que??? Ah, esquece… voltei ao sofá.

O vento já havia diminuído, as nuvens escuras já tinham se dissipado, mas energia elétrica que é bom, nada. Mais alguns minutos passados e escuto vozes de crianças brincando na rua, abri a janela pra ver o fato curioso, a molecada havia deixado seus joystiks por um instante e voltaram às rudimentares brincadeiras de rua.

Olhei mais para cima e comecei a observar o céu, sim, o céu! Fazia tempo que eu não olhava assim pra ele com cuidado. Nuvens de diversas cores e formas se movimentando graciosamente pra lá e pra cá, quase um balé! Vez ou outra um estrondo dos trovões que já estavam se despedindo para irem acordar mais pessoas em outro lugar. Que visão fantástica, até o show pirotécnico de Copacabana vira “fichinha” perto do maravilhoso espetáculo que se desenhava sob as nossas cabeças, isso sempre esteve aí? Fazia tempo que não notava…

Situação engraçada foi aquela, enquanto as crianças redescobriam nas brincadeiras simples a verdadeira essência da infância, olhei ao redor e vi que muitos adultos se encontravam na mesma situação que a minha, debruçados nas janelas de seus apartamentos, impossibilitados de fugir da companhia de si mesmos, já que todas as maravilhas eletrônicas que preenchem todo nosso tempo ainda não podiam funcionar.

Foi bem numa dessas tardes chatas de segunda-feira, que levamos um leve beliscão divino, para sairmos um instante da nossa corrida frenética em busca das ilusões passageiras deste mundo, acordarmos para a realidade e podermos verdadeiramente nos achar.

Quando a energia voltou, adivinhem? Voltamos logo para a rotina, já que nossa vida é corrida demais. Temos muito o que fazer e não nos sobra tempo para pensar nos porquês.


Quem é normal?

outubro 9, 2004

Pare e pense um pouco na sua vida. Você tem sonhos? É claro! Afinal, quer algo mais saudável do que sonhar com boas coisas para nosso futuro? Certamente nos ajuda a viver o dia-a-dia, porque afinal o que nós fazemos na nossa vida é correr em direção à uma meta, ou seja, nossos sonhos.
Certamente eu e você passamos quase todas as horas do dia e quase todos os dias da semana fazendo alguma coisa que nos leve um pouquinho mais perto dos nossos sonhos, e a maioria de nós, creio eu, têm sonhos muito nobres: se formar, conseguir um bom emprego, ter uma família, viajar, enfim… Quem é que discorda que isso tudo é muito bom e que devemos fazer o nosso melhor para conquistar o que queremos? Afinal só se vive uma vez não é? E temos que viver cada dia intensamente, como se fosse o último, não é mesmo?
Bom, aí é que mora o grande engano, primeiro; não se vive só uma vez, depois desta vida é que teremos a verdadeira e eterna vida, segundo; mesmo o nosso último dia nesse mundo não será o nosso último dia de vida, de fato, depois disso é que ela vai estar realmente começando. Todas estas lindas frases de efeito descritas no parágrafo anterior, que focam somente esta vida do mundo e que estão em muitos livrinhos de auto-ajuda, são uma grande mentira do diabo. Exagero? Vamos ver o que Jesus Cristo diz sobre para quê devemos viver.
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem e os ladrões roubam, mais ajuntais tesouros no céu, onde nem a traça e nem a ferrugem destroem e onde os ladrões não roubam.” (Mt 6: 10,20)
Cristo, o nosso Mestre, nosso Senhor e Redentor, diz que a nossa vida aqui deve focar a vida eterna, que devemos viver para trabalhar para o reino de Deus, anunciando a sua vinda e o seu evangelho, porque tudo o que existe aqui um dia passará e pensando assim, diante da eternidade, tudo o que temos aqui perde o sentido.
O rei Salomão foi o homem mais bem sucedido que já existiu, possuía tudo o que um ser humano pode querer; um grande e poderoso reino, palácios lindíssimos, família, admiração e respeito do seu povo entre outras coisas. Quando ele pediu à Deus sabedoria, lhe foram abertos os olhos para a realidade da vida e ele chegou à seguinte conclusão: “Tudo quanto desejaram meus olhos não lhes neguei, nem privei meu coração de alegria alguma; mas meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. E olhei para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e nenhum proveito havia debaixo do sol”. (Ec 2: 10,11)
Não quero desanimar ninguém, mas você pode se matar de tanto estudar e trabalhar que nunca conquistará a metade do que Salomão conquistou, mas uma vantagem nós temos sobre ele, não precisamos ficar enganados achando que estaremos realizados no dia em que tivermos mais dinheiro, ou sermos profissionais bem sucedidos, ou nos casarmos, ou o que quer que estejamos correndo atrás. Salomão provou de todos os prazeres que este mundo pode oferecer e já nos adiantou que em nada há proveito algum.
Sabendo isso, nós os cristãos não deveríamos ser diferentes? Não deveríamos ter planos e metas diferentes? Nós estamos tão inseridos nessa sociedade capitalista, em que desde pequenos somos treinados para quando crescermos podermos trabalhar e ganhar nosso próprio dinheiro, que nos esquecemos das coisas que realmente são importantes. Confesso que até algum tempo atrás eu achava meio doido “esse povo” que vive para fazer missões, que passa quase a vida toda trabalhando para a igreja. Tudo bem que é importante ir à igreja, ler a Bíblia, e até dar uma ajudinha em alguma coisa, mas deixar de “viver” pra fazer só isso? Ah não… eu quero me formar, casar, ganhar dinheiro, nem preciso ser rica, sou humilde, só um apartamentinho bem decorado, um carrinho, umas viagenzinhas… É assim que eu pensava, agora vejo que isto não passa de uma vida de hipocrisia, o Filho de Deus não veio aqui morrer crucificado para que eu e você tenhamos uma vidinha cheia de objetos coloridos que durará no máximo 80 ou 90 anos (sendo bem otimista), Ele veio com uma missão eterna, mas nós a tornamos quase obsoleta, com nossa corrida em busca de tantas coisas que no final das contas não servirão pra nada.
Na parábola do semeador, Jesus explica como as pessoas reagem à sua magnífica e eterna palavra. “E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mt 13:22).
Agora pense: Se essas pessoas que renunciam uma vida com conforto, diversão e conquistas pessoais em prol de um reino que nunca acabará são todos malucos, quem é normal afinal? Os que passam a vida toda correndo atrás de coisas que se perderão pra sempre?
Com isso, não quero dizer que todos devemos largar tudo e ir para a África ou Ásia fazer missões, ou deixar nossa educação secular para estudar teologia, o que quero dizer é que passamos tempo demais correndo atrás das coisas deste mundo e quase nenhum tempo investindo naquilo que é realmente importante. A oração, a leitura da Bíblia e a divulgação do evangelho deveriam ser a prioridade na vida de cada cristão, antes de qualquer sonho que possamos ter. Mas hoje em dia isso é visto como exagero ou fanatismo até mesmo entre nós. Tenho me questionado se o nosso conceito de “vida normal” não está distorcido pelo pensamento dessa sociedade individualista. Aliás, até sobre a vida de abnegação dos missionários, o que lhe parece mais sensato: Dedicar algumas dezenas de anos em favor do reino eterno de Deus, ou trocar este mesmo reino eterno por algumas dezenas de anos de vaidade?
“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26)