Uma pausa, simplesmente

Era uma dessas tardes bem normais de segunda-feira, chatíssima como as tais devem mesmo ser. Eu estava no computador olhando para a tela preta do Auto Cad quando as janelas da casa começaram a assoviar com o vento repentino que vinha do sul, mas isso eu mal percebi, já que estava bem concentrada fazendo um trabalho para entregar no dia seguinte. De repente… Acabou a energia, dei uma respirada mais longa do que a ansiedade dos trabalhos da faculdade permitem e pensei: o que farei agora?
Bom, já que é impossível terminar minha obrigação, vou usar este tempo para relaxar um pouco, deitei no sofá e esperei alguns minutos tentando aproveitar o momento de ócio sem peso na consciência, já que este era devido à “motivos de força maior”.

Não passou muito tempo e eu já estava enjoada de ficar ali sem ter o que fazer, ouvindo nada mais que alguns galhinhos caindo no chão e o assovio constante do vento. Pensei em algo para me distrair, para não ter que começar a pensar nas elementares coisas da vida (dizem que isso deixa a gente louca). Já sei! Vou ligar para uma amiga. Fui correndo em direção ao telefone e vi que ele não iria funcionar, é sem fio, moderno demais para funcionar sem energia elétrica. E agora? Assistir TV não dá, ler sem luz também não, vou fazer uma pipoca microondas para ter algo para mastigar… Pipoca o que??? Ah, esquece… voltei ao sofá.

O vento já havia diminuído, as nuvens escuras já tinham se dissipado, mas energia elétrica que é bom, nada. Mais alguns minutos passados e escuto vozes de crianças brincando na rua, abri a janela pra ver o fato curioso, a molecada havia deixado seus joystiks por um instante e voltaram às rudimentares brincadeiras de rua.

Olhei mais para cima e comecei a observar o céu, sim, o céu! Fazia tempo que eu não olhava assim pra ele com cuidado. Nuvens de diversas cores e formas se movimentando graciosamente pra lá e pra cá, quase um balé! Vez ou outra um estrondo dos trovões que já estavam se despedindo para irem acordar mais pessoas em outro lugar. Que visão fantástica, até o show pirotécnico de Copacabana vira “fichinha” perto do maravilhoso espetáculo que se desenhava sob as nossas cabeças, isso sempre esteve aí? Fazia tempo que não notava…

Situação engraçada foi aquela, enquanto as crianças redescobriam nas brincadeiras simples a verdadeira essência da infância, olhei ao redor e vi que muitos adultos se encontravam na mesma situação que a minha, debruçados nas janelas de seus apartamentos, impossibilitados de fugir da companhia de si mesmos, já que todas as maravilhas eletrônicas que preenchem todo nosso tempo ainda não podiam funcionar.

Foi bem numa dessas tardes chatas de segunda-feira, que levamos um leve beliscão divino, para sairmos um instante da nossa corrida frenética em busca das ilusões passageiras deste mundo, acordarmos para a realidade e podermos verdadeiramente nos achar.

Quando a energia voltou, adivinhem? Voltamos logo para a rotina, já que nossa vida é corrida demais. Temos muito o que fazer e não nos sobra tempo para pensar nos porquês.

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