Protestantes ou coniventes?

Deixem-me lembrá-los dos cinco pontos da Reforma Protestante:

Sola Gratia: A salvação se dá somente pela graça (favor imerecido) de Deus;
Sola Fide: A fé no sacrifício de Jesus Cristo é o único meio pelo qual o homem pode se achegar a Deus;
Solus Christus: Jesus Cristo deve ser o único objeto da nossa fé;
Soli Deo Gloria: A Deus toda a glória;
Sola Scriptura: A Bíblia é o único “documento” deixado por Deus para conhecermos Sua vontade.

A Reforma iniciada por Martinho Lutero foi sem dúvida um momento histórico dirigido por Deus, havia chegado a hora de uma grande revolução acontecer no meio da igreja cristã que estava contaminada com doutrinas e costumes de homens e até de religiões pagãs.
Por estes princípios muitos homens, se tornaram mártires, muitos foram perseguidos e até mortos simplesmente porque decidiram serem fiéis às Escrituras e não quiseram se deixar contaminar pelas tradições religiosas e culturais, que não tinham nenhuma fundamentação bíblica e muitas delas eram totalmente abomináveis aos olhos de Deus.
A igreja protestante nasceu em meio à perseguições e mortes, muito sacrifício foi necessário para que finalmente muitos tivessem livre acesso à Bíblia escrita em sua própria língua, foi necessária uma grande revolução para que pudéssemos nos libertar das falsas doutrinas impostas durante anos dentro de uma igreja que contaminou a pura verdade de Deus com diversos ensinos heréticos.
Graças a Deus pela vida dos homens, que foram torturados e mortos para que pudéssemos ter acesso à Sagrada Escritura, e assim conhecer a verdade que liberta, discernir o que é verdadeiro do que é falso, fugir daquilo que é errado e praticar somente a justiça… Mas é isso o que temos feito?
Hoje a igreja protestante parece ter esquecido o seu passado e vive uma nova fase, onde nada é tão ruim quanto parece, onde não existe verdade absoluta e o conceito de certo e errado varia de acordo com a situação. Hoje não podemos “falar mal” de nada e de ninguém, ouvimos as mais absurdas mentiras e ficamos quietos em prol da boa etiqueta. Nem nos denominamos mais protestantes, somos apenas evangélicos, mas até esta denominação não faz jus ao que somos, não somos mais nada, pois entramos numa hipocrisia sem fim, como se pudéssemos ficar neutros à tudo o que acontece a nossa volta e simplesmente “respeitar a fé de cada um”. Fazemos vistas grossas aos costumes abomináveis da sociedade que nos cerca, não contestamos mais os ensinos heréticos, que infelizmente têm contaminado inclusive a igreja “evangélica”. Enfim, não somos mais protestantes e sim coniventes com tudo o que se passa, com cada um olhando para o seu próprio umbigo, quando muito para seu grupinho, vivendo a sua vidinha sem fazer a mínima diferença aos que estão à sua volta. Somos a igreja de Laudicéia, a igreja morna, que conhece a verdade, mas não combate a mentira, que pensa estar abastada e bem sucedida, mas é miseravelmente pobre.
Jesus Cristo revela a profecia da igreja no fim dos dias à João dizendo: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.” (Ap 3 v. 15-17)
Nós, “os crentes modernos”, não somos mais caretas, curtimos a vida adoidado, é claro que os mais certinhos não vivem enchendo a cara de bebida e nunca experimentaram drogas, mas puxa vida… quem é que nunca tomou um porre na vida? Faz parte da juventude! Nem que seja pra acordar com dor de cabeça e “aprender na prática” que não vale a pena. Os relacionamentos afetivos de hoje também “evoluíram” bastante, até que somos diferentes dos baladeiros natos, mas nem tanto assim também… é de se esperar que as mocinhas da igreja não saiam na noite “dando” pra qualquer um, mas sem problemas se alguém “ficar” de vez em quando, afinal quem agüenta passar tanto tempo na “secura”? Enquanto não achamos a pessoa certa pra casar não tem nada de mais dar uns beijinhos…
Nosso comportamento é repulsivo, a começar por mim. Mesmo tendo um comportamento mais pudico, quando penso na morte terrível que Jesus Cristo padeceu para que eu pudesse ser santificada e salva para sempre, eu olho para minha vida e me sinto constrangida. Que diferença temos feito na nossa casa, na faculdade, no trabalho? Temos sido sal e luz? Temos observado o nosso comportamento, o tipo de música que ouvimos, o tipo de roupas que vestimos? Temos contestado o assunto das nossas rodinhas de conversa? Temos protestado contra os costumes da nossa sociedade? Temos analisado as mentiras que têm se infiltrado no meio cristão? Enfim… será que estamos dando valor ao que somos? “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Cor 6v.20). Que Deus tenha misericórdia de nós, e que nos chame para sermos novamente vozes que clamam no meio da multidão. Vozes que alertam, vozes que protestam! Sejamos protestantes!

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