Natal

Queria deixar uma mensagem de Natal, mas é claro que não seria aquelas coisinhas sem sentido tipo “que a estrela de Belém ilumine sua vida e blá blá…”. Mais uma vez meu objetivo aqui é despertar outro ponto de vista sobre a situação, sem a pretensão de querer mudar a percepção das pessoas. Pelo contrário, quero ressaltar que, o que escrevo aqui, escrevo primeiramente pra mim, são coisas que às vezes eu paro pra pensar e percebo que preciso mudar, meu objetivo é apenas promover uma certa “discussão” sobre assuntos que muitas vezes passam despercebidos.
O texto abaixo é adaptado do livro “O Jesus que eu nunca conheci” de Philip Yancey, leitura muito interessante, recomendo a todos.

Examinando a pilha de cartões que chegou à nossa casa no Natal passado, percebi que todo tipo de símbolos conseguira fazer parte da celebração. Espantosamente, as paisagens apresentam as cidades da Nova Inglaterra enterradas na neve, geralmente acrescidas do toque de um trenó puxado por cavalos. Em outros cartões os animais brincam: não apenas a rena, mas também os esquilos, os ratinhos, os cardeais e os engraçados camundongos cinzentos;
Os cartões explicitamente religiosos (uma notável minoria) focalizam a sagrada família, e você pode perceber imediatamente que essas pessoas diferentes, parecem tranqüilas e serenas. Reluzentes auréolas douradas, como coroas de outro mundo, flutuam bem sobre suas cabeças.
No interior, os cartões destacam palavras radiosas como amor, boa vontade, alegria, felicidade e cordialidade. É ótimo, suponho, que honremos o sagrado feriado com tais sentimentos familiares. Mas, quando me volto para as narrativas do evangelho sobre o primeiro Natal, percebo um tom diferente e sinto principalmente algo romper-se.
Maria e José tiveram de enfrentar a vergonha e o desprezo da família e dos vizinhos, que reagiram com incredulidade à concepção milagrosa. Até mesmo os que aceitam a versão sobrenatural dos acontecimentos concordam em que grandes problemas virão a seguir: um velho tio ora “para nos livrar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam”; Simeão tenebrosamente adverte a virgem de que “uma espada trespassará também a tua própria alma”; o hino de ação de graças de Maria menciona governos derrubados e homens orgulhosos dispersos.
Ao contrário do que os cartões gostariam que crêssemos, o Natal não simplifica de maneira sentimental a vida no planeta Terra. Talvez seja isso o que sinto quando chega o Natal e me afasto da alegria dos cartões indo para a seriedade dos evangelhos.
A arte do Natal apresenta a família de Jesus em imagens prensadas de papel dourado, em que Maria, calma, recebe as boas novas da anunciação como um tipo de bênção. Mas isso não é tudo o que Lucas conta na história. Maria ficou “grandemente perturbada” e “teve medo” com o aparecimento do anjo, e, quando o anjo pronunciou as sublimes palavras acerca do Filho do Altíssimo cujo reino não teria fim, Maria teve uma idéia muito mais mundana em sua mente: “Mas eu sou virgem!”.
Nos Estados Unidos atualmente, onde todos os anos um milhão. de adolescentes ficam grávidas fora do casamento, o problema de Maria sem dúvida perderia um pouco a força, mas numa comunidade judaica fortemente unida no século 1, a notícia que o anjo trouxe não poderia ter sido de todo bem-vinda. A lei considerava adúltera a mulher comprometida que ficasse grávida, sujeita à morte por apedrejamento.
Mateus fala de José concordando de modo magnânimo em divorciar-se de Maria em segredo sem impor culpas, até que um anjo apareceu para corrigir-lhe a idéia de que fora traído. Lucas nos conta acerca de uma Maria trêmula, apressando-se. para falar com a única pessoa que talvez entendesse aquilo por que estava passando: sua parenta Isabel, que milagrosamente ficara grávida na velhice depois de outra anunciação Angélica. Isabel acredita em Maria e partilha de sua alegria, mas a cena ainda realça de modo enternecedor o contraste entre as duas mulheres: toda a redondeza está falando acerca do ventre curado de Isabel, enquanto Maria tem de esconder a vergonha do milagre que lhe ocorrera.
Malcom Muggeridge observou que, nos nossos dias, com as clínicas de planejamento familiar a oferecer meios cômodos de corrigir “erros’ que poderiam levar à desgraça o nome da família seria “extremamente improvável, sob as condições existentes, que Jesus tivesse permissão de nascer pelo menos. A gravidez de Maria, nas desagradáveis circunstâncias, e com pai desconhecido, teria sido sem dúvida um caso de aborto; e sua conversa de ter concebido pela intervenção do Espírito Santo teria exigido tratamento psiquiátrico, tornando o argumento a favor da interrupção da gravidez ainda mais forte. Assim, a nossa geração, precisando de um Salvador, talvez mais do que qualquer outra que já existiu, seria humana demais para permitir que ele nascesse”.
A virgem Maria, contudo, cuja maternidade não foi planejada, teve reação diferente. Ouviu o anjo, analisou a repercussão e respondeu: “Eu sou a serva do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. Com freqüência uma obra de Deus vem com dois gumes, grande alegria e grande sofrimento, e nessa resposta prosaica Maria abraçou os dois. Foi a primeira pessoa a aceitar Jesus com todas as suas condições, apesar do custo pessoal.

É isso aí gente, Natal significa celebrar o nascimento do Salvador sim, mas não devemos nos esquecer de que este mesmo Salvador morreu, para que tenhamos nova vida, vida de crescimento, de santidade, deixando as coisas que para trás ficam e prosseguindo para o alvo, que é o próprio Cristo. Amém.
Feliz Natal a todos!

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