Lapidação? Castigo? Lição!

abril 14, 2006

Caíram as escamas que cobriam meus olhos e meu coração.

Escamas do orgulho, do preconceito, da desconfiança, das futilidades, da mentira, do medo.

A cada camada desprendida a dor enorme, quase insuportável. O peito apertado, as lágrimas jorrando.

Debaixo de uma dura carapaça a sensibilidade foi despertada.

Revelou-se uma alma, um coração, que bate, que sente.

E olhos que vêem a verdade. Aquela que o espelho não mostra.

Apesar do sofrimento, esse não é, e nunca foi, o motivo da minha tristeza.

Pelo contrário, a dura lição foi, e sempre será, necessária.

Agradeço a Deus e aos Seus meios.

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Renovo

outubro 3, 2005

Que gostoso ver o sol nascer de novo, depois de uma noite tão longa
Ver os olhos inchados cedendo aos poucos a um pequeno sorriso
Ver a esperança brotando onde antes só havia desânimo
Ver tudo, todas as mesmas coisas… mas com um foco diferente
Que gostoso é ter um Pai, e saber que Ele renova suas misericórdias a cada manhã!


Florbela Espanca

julho 23, 2005

Já que eu não tenho nada pra escrever (tenho muitas coisas na cabeça, mas não estou conseguindo colocá-las no papel ou na tela) vou colocar aqui um verso da escritora portuguesa Florbela Espanca (1894 – 1930). Eu não conhecia seus escritos, mas agora que estou começando a conhecer, estou gostando muito.

“… O meu Mundo não é como o dos outros, quero demais,
exijo demais, há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que nem eu mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessimista.
Sou antes uma exaltada, com alma intensa, violenta,
atormentada, uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudades… sei lá de quê!”

Florbela Espanca


Introspecção

fevereiro 25, 2005

Quando sentada ali mesmo no chão, coberto pela relva verde, uma pequena estrela no canto mais escuro do céu, ou a última folha de um Ipê despedindo-se do verão, podem adquirir um poder quase hipnótico, fazendo os olhos fixarem-se num só ponto por horas.
Passado e futuro passam a ocupar a mente, que parece desligada de tudo à sua volta.
Algumas lembranças do passado roubam lágrimas que escorrem pelo rosto, outras esboçam um leve sorriso nos lábios.
A expectativa do futuro traz esperança e ao mesmo tempo medo. Pensar em tudo o que está por vir, por si só já é cansativo, mas sem muita explicação sobrevém o ânimo.
Passado, futuro, tristeza, alegria, esperança, incerteza…
Tudo isso testemunhado por uma simples estrela ou uma folha solitária. Corpos inertes e indiferentes.
Mas não fique triste, quem os criou também estava ali, e entendeu cada um dos seus suspiros.


Carlos Drummond de Andrade

fevereiro 18, 2005

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Carlos Drummond de Andrade


A Perfeição – Clarice Lispector

fevereiro 6, 2005

A Perfeição

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

Clarice Lispector

Gosto muito deste poema de Clarice Lispector, ela o intitulou “A perfeição”, mas também poderia chamar-se “A soberania de Deus”, que por sua vez é perfeita, e é isso também o que me tranqüiliza.


Anestesia

janeiro 5, 2005

Se quiseres imaginar um lugar, que seja o paraíso.
Se quiseres lembrar-te de um dia, que seja um ensolarado.
Se quiseres pensar numa pessoa, que seja alguém que está por perto.
Se quiseres compor uma música, que seja em dó maior!

Lembra-te das chegadas, esqueça-te das despedidas.
Lembra-te do alívio, esqueça-te da agonia.
Lembra-te dos sorrisos, esqueça-te das lágrimas.

Tua mente anestesiada não dará lugar à tristeza.
E a realidade, onde fica?